O golpe da falsa dívida ativa usa o nome da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou da Receita Federal para cobrar uma dívida que não existe, ou uma dívida real, mas com pagamento desviado para o golpista. A regra de ouro é simples: a PGFN não manda boleto nem chave Pix, não usa WhatsApp e só aceita pagamento por guia oficial emitida no Regularize (regularize.pgfn.gov.br). Em 2025 a PGFN reforçou os alertas, depois de derrubar aplicativos falsos que imitavam o portal. E novidades reais, como o perdão de dívidas do MEI aprovado em outubro de 2026, viram isca nova.
O que é o golpe da falsa dívida ativa?
É uma fraude em que alguém se passa pelo governo para tirar dinheiro ou dados da vítima. A dívida ativa é o cadastro das dívidas com a União que já foram enviadas para a PGFN cobrar. Quem tem empresa sabe que uma dívida ali pode trazer protesto, bloqueio de certidão e execução fiscal. O golpista usa esse medo.
Os golpes que a própria PGFN descreve em seus alertas oficiais seguem alguns padrões:
- cobrança com ameaça: mensagem dizendo que o CPF será cancelado ou que a conta bancária e o Pix serão bloqueados;
- desconto por link: oferta de "desconto especial" para quitar a dívida clicando num link;
- site que imita o governo: páginas com visual parecido com o gov.br ou com o Regularize;
- aplicativo falso: apps que dizem negociar dívida com a União. Entre julho e outubro de 2025, a PGFN tirou do ar seis apps falsos que simulavam o Regularize;
- boleto ou Pix em nome de terceiros: cobrança da "sua dívida com desconto" com pagamento para uma pessoa ou empresa qualquer;
- cartas de entidades inexistentes: a PGFN diz não conhecer entidades como um tal "Conselho Nacional de Precatórios" que mandaram avisos pelo correio citando o nome dela;
- falsa parceria: escritório ou profissional que diz trabalhar "em parceria com a PGFN".
Muitas vezes o golpista já sabe o nome, o CPF ou o CNPJ da vítima. Isso não prova nada. Dados cadastrais vazam, e a PGFN mantém pública a lista de devedores. Dado correto não torna a cobrança verdadeira.
A PGFN manda SMS, WhatsApp ou e-mail?
Manda SMS, mas não usa WhatsApp. Segundo comunicado da PGFN de 2/12/2025, o órgão "não entra em contato pelo WhatsApp, somente por SMS, com o remetente 29347".
Desde 2022 a PGFN envia SMS avisando de inscrição em dívida ativa ou de problemas em negociações, como parcela em atraso. Segundo a PGFN, essas mensagens trazem o nome e o CPF do destinatário e, quando for o caso, o CNPJ da empresa. Mesmo assim, a orientação é a mesma: não precisa clicar em nada. Entre no Regularize digitando o endereço e confira lá.
Sobre e-mail e carta, os comunicados da PGFN que consultamos não listam esses canais. O que eles dizem é que o contato da PGFN trata só de dívida ativa da União e do FGTS. Ela nunca entra em contato para pedir doação, pagar benefício ou auxílio, ou devolver valores de qualquer tipo.
A PGFN pode mandar boleto ou chave Pix para pagar a dívida?
Não. A PGFN afirma que não entra em contato para enviar boleto ou chave Pix para pagar dívida com desconto. E que não intermedeia pagamento por Pix ou por qualquer transferência, porque o pagamento é feito só por documento de arrecadação: DARF, DAS, GPS ou GRRF.
Esses documentos são emitidos pelo próprio contribuinte no Regularize. O portal tem um serviço de acesso livre, "Emitir guia de pagamento", para DARF, DAS e DAE de débitos inscritos e de parcelas de negociações.
A PGFN também diz que seus agentes não fazem cobrança direta de valores. Ninguém da Procuradoria vai ligar pedindo transferência.
Na prática:
- boleto ou Pix em nome de pessoa física ou de empresa qualquer para "quitar a dívida com a União" é sinal forte de golpe;
- guia oficial se emite no Regularize, e o pagamento vai para os cofres públicos, não para a conta de alguém;
- se alguém mandou uma guia pronta, emita outra você mesmo no portal e compare os valores e o código de barras.
Existe aplicativo do Regularize?
Não. A PGFN informa que não existe aplicativo oficial do Regularize para celular. O único aplicativo oficial da PGFN é o Dívida Aberta, que serve só para consultar quem são os devedores inscritos.
Qualquer app que diga negociar dívida com a União ou peça dados pessoais e bancários é fraudulento, segundo a PGFN. O Regularize é acessado pelo navegador, no endereço regularize.pgfn.gov.br.
Os sites do governo federal ficam sob o domínio gov.br. Mas confira o endereço inteiro. Um site falso pode ter "gov" ou "pgfn" no meio do nome e terminar com outra coisa.
A dívida ativa pode cancelar meu CPF ou bloquear meu Pix?
Não do jeito que o golpe diz. A PGFN afirmou, em dezembro de 2025, que "em nenhuma hipótese de cobrança" existe cancelamento do Pix. Também disse que bens e valores só são bloqueados por decisão judicial, num processo com citação e direito de defesa.
Isso não quer dizer que a dívida ativa não tenha consequências. Ela pode levar a protesto, a dificuldade para tirar certidão e a execução fiscal, que é o processo judicial de cobrança. Na execução, o juiz pode mandar bloquear valores. Mas isso acontece dentro de um processo, nunca por mensagem com prazo de minutos. Veja como funciona a execução fiscal e a penhora e o protesto da certidão de dívida ativa.
Um sinal claro de golpe é a urgência: "pague em 30 minutos", "último aviso hoje". A cobrança oficial tem prazos de lei, não de cronômetro.
Como conferir no Regularize se a cobrança é verdadeira?
Entre no Regularize e consulte a dívida no seu próprio nome. A PGFN recomenda o serviço Consultar Dívida Ativa para verificar se a cobrança existe e quais são os detalhes. O passo a passo:
- Abra o navegador e digite regularize.pgfn.gov.br. Não use o link da mensagem.
- Escolha Pessoa Física ou Pessoa Jurídica e entre com a conta gov.br. Para pessoa física, o acesso é só pelo gov.br, nível prata ou ouro. A PGFN não pede CPF solto como forma de acesso.
- Abra o serviço Consultar Dívida Ativa e veja se existe inscrição, o valor e a situação.
- Se a mensagem falava de parcela em atraso, veja em Negociar Dívida Ativa, Acesso aos Sistemas de Negociações, Consulta. O Painel dos Parcelamentos e Transações, de acesso livre, também mostra o histórico.
- Se a dívida existir e você quiser pagar, emita a guia no próprio portal.
Segundo a PGFN, o Regularize fica disponível de segunda a sexta-feira, exceto feriados nacionais. Uma mensagem dizendo que você precisa pagar "agora, no domingo à noite" não combina com isso.
Se não aparecer nenhuma inscrição, não há dívida ativa da União no seu nome naquele momento. Se aparecer, a cobrança é real, mas o pagamento continua sendo só pela guia oficial. Pessoa física: nunca consulte dívida por CPF em site de terceiros, use só o Regularize ou o e-CAC. Mais sobre isso em pessoa física.
E as mensagens da Receita sobre Simples Nacional e MEI?
A Receita usa a caixa postal eletrônica, não WhatsApp. Para o Simples, o caso mais sério é o Termo de Exclusão por dívida. Segundo as perguntas e respostas da Receita sobre a exclusão de 2026, esse termo é enviado unicamente pelo Domicílio Tributário Eletrônico do Simples Nacional (DTE-SN). Ele é aberto no Portal do Simples Nacional ou na Caixa Postal do e-CAC.
Então, se chegar por WhatsApp, SMS ou e-mail um "termo de exclusão do Simples" com boleto anexo, desconfie. Entre no Portal do Simples ou no e-CAC e veja se há mensagem lá.
Para regularizar de verdade, a Receita orienta usar o Portal do Simples Nacional, o Portal de Serviços da Receita ou o App MEI oficial. O DAS sai desses sistemas. Detalhes no nosso guia sobre dívida do Simples Nacional.
O perdão das dívidas do MEI é verdade?
Sim, existe, mas é limitado e não precisa de intermediário. A Lei Complementar 238, de 21/10/2026, perdoou as dívidas federais do MEI relativas à contribuição ao INSS do DAS-MEI vencidas até 13/10/2026 (art. 5º). Segundo a PGFN, as dívidas perdoadas serão extintas em 1º/1/2027, e o contribuinte não precisa fazer nenhuma solicitação neste momento.
Novidade real é terreno fértil para golpe. Por isso, guarde estes pontos:
- ninguém precisa pagar para "ativar", "garantir" ou "antecipar" o perdão;
- o perdão não alcança ICMS e ISS, mesmo que estejam no mesmo DAS;
- quem já pagou não recebe devolução (art. 5º, § 3º). Promessa de "restituição do perdão" não tem base na lei;
- as regras operacionais virão em ato oficial da PGFN e da Receita, divulgado nos canais oficiais dos dois órgãos.
Para saber se a dívida entra no perdão, a PGFN orienta consultar o Regularize, em Consultar Dívida Ativa, ou os canais oficiais de atendimento.
O que circula errado e é usado pelos golpistas?
Várias frases aparecem em mensagens falsas e não têm base em lei:
- "Desconto de 90% para quitar hoje." Na transação tributária da União, a lei proíbe reduzir o valor principal e limita a redução total a 65% da dívida, ou 70% para pessoa física, microempresa e empresa de pequeno porte (Lei 13.988/2020, art. 11, § 2º, I e II, e § 3º). Desconto só sai por edital ou proposta no Regularize.
- "Seu Pix será cancelado." A PGFN diz que isso não existe em nenhuma cobrança.
- "Somos parceiros da PGFN." A PGFN diz que não é parceira de nenhum escritório ou profissional de assessoria contábil ou jurídica. Suas parcerias são acordos com entidades, como a OAB e o Sebrae, para atendimento presencial.
- "A nova lei zerou as dívidas." A Lei Complementar 236/2026, de 4/9/2026, mudou o Código Tributário Nacional em vários pontos, mas não perdoou dívidas. O perdão de 2026 é o da LC 238/2026, só para a parte do INSS do MEI.
- "Só nós conseguimos revisar sua inscrição." A LC 236/2026 incluiu no CTN o art. 201, § 2º: o controle de legalidade da inscrição é direito do contribuinte e pode ser pedido à própria Fazenda a qualquer tempo.
O que fazer se eu já paguei ou passei meus dados?
Aja rápido, nesta ordem:
- Avise o banco na hora. Se pagou por Pix, peça a contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para casos de fraude. Quanto antes, maior a chance de o dinheiro ainda estar na conta do golpista.
- Registre boletim de ocorrência. A PGFN orienta comunicar fraude consumada à Polícia Civil do local onde ela ocorreu. Guarde prints, número de telefone, link e comprovante.
- Proteja a conta gov.br. Se digitou senha em site falso, troque a senha e reforce a segurança da conta. A mesma senha abre o e-CAC e o Regularize.
- Confira a dívida real. Entre no Regularize e veja se existe inscrição de verdade. O golpe não apaga nem quita a dívida verdadeira.
- Avise quem cuida do fiscal. Contador e sócios precisam saber, porque o golpista pode tentar de novo com outra pessoa da empresa.
Golpe com o nome de órgão público é crime. Usar mensagem, rede social, telefone, e-mail ou aplicativo para enganar a vítima é fraude eletrônica, prevista no Código Penal, art. 171, § 2º-A, com pena mais alta que a do estelionato comum.
Onde denunciar o golpe?
Na polícia, primeiro. A orientação oficial da PGFN é comunicar fraude consumada à Polícia Civil da localidade onde ela ocorreu.
Além disso:
- dúvida sobre aviso ou notificação em nome da PGFN: use os canais oficiais de atendimento da PGFN, listados no site gov.br/pgfn e no Regularize;
- reclamação ou denúncia ao órgão: a Ouvidoria da PGFN, pelo sistema.ouvidorias.gov.br, link que aparece no próprio Regularize;
- na plataforma onde chegou a mensagem: denuncie o perfil ou o número no WhatsApp, na rede social ou no provedor de e-mail e bloqueie o remetente.
Um cuidado: o "Canal de Denúncias Patrimoniais" do Regularize serve para denunciar quem esconde patrimônio da Fazenda Nacional. Ele não é o canal para golpe contra você.
Como reconhecer uma assessoria séria?
Contratar ajuda para negociar dívida é legal, e muita empresa faz isso. A diferença entre uma assessoria séria e um golpe está no que ela faz com o seu dinheiro e com os seus dados. Use este quadro como checklist com qualquer prestador, inclusive conosco:
| Uma assessoria séria | Uma assessoria séria nunca |
|---|---|
| Diz com clareza que é empresa privada, com razão social e CNPJ | Diz que é a PGFN, a Receita ou "parceira oficial" do governo |
| Mostra a dívida a partir de dados oficiais e manda você conferir no Regularize | Pede que você confie só no relatório dela |
| Faz a adesão no sistema oficial, no nome da sua empresa | Faz acordo "por fora" ou em sistema próprio |
| Deixa você emitir e pagar a guia oficial (DARF ou DAS) | Recebe o dinheiro da dívida na conta dela para "repassar" |
| Explica que o desconto pode ou não sair, conforme a lei, o edital e a capacidade de pagamento | Promete desconto garantido, "nome limpo em 24 horas" ou "dívida zerada" |
| Informa o preço por escrito antes de começar | Cobra taxa de análise, cadastro ou "liberação" adiantada |
| Usa procuração formal nos sistemas oficiais, quando precisa operar por você | Pede sua senha do gov.br ou o código que chegou por SMS |
| Dá prazo realista e explica os riscos de atraso | Pressiona com contagem regressiva e "última chance" |
Se o caso envolver processo judicial, como execução fiscal com bloqueio, leve a um advogado de confiança.
Como a gente trabalha?
O Administrador de Dívidas é uma empresa privada, da HBWK Tecnologia Ltda. Não somos a PGFN, a Receita nem parceiros delas. O diagnóstico por CNPJ é grátis. Quando a negociação é feita, a adesão acontece no sistema oficial, no nome da sua empresa, e a parcela é paga por guia oficial, direto para a União. Nós nunca recebemos o pagamento da dívida. Nada é cobrado adiantado: a taxa de sucesso só vem depois do acordo feito, e o acompanhamento, se você quiser, tem mensalidade combinada por escrito.
O que fazer agora
- Não clique. Recebeu cobrança por mensagem? Não abra o link nem o anexo.
- Digite o endereço. Entre em regularize.pgfn.gov.br (dívida ativa) ou no Portal do Simples e no e-CAC (Receita), sempre digitando.
- Consulte no seu nome. Use Consultar Dívida Ativa no Regularize e o DTE-SN, para empresas do Simples e MEI.
- Pague só por guia oficial. DARF ou DAS emitido por você no sistema oficial. Nunca Pix ou boleto em nome de pessoa ou empresa qualquer.
- Se caiu no golpe, ligue para o banco. Peça o MED do Pix e registre boletim de ocorrência na Polícia Civil.
- Avise a equipe. Combine na empresa que nenhuma dívida com o governo é paga sem conferência no portal.
Perguntas frequentes
O número 29347 é mesmo da PGFN?
Sim. A PGFN informa que só entra em contato por SMS com o remetente 29347 e não usa WhatsApp. Mesmo assim, a mensagem é só um aviso: confira a dívida digitando o endereço do Regularize no navegador.
A PGFN cobra dívida ativa por WhatsApp?
Não. Segundo a PGFN, ela não entra em contato pelo WhatsApp. Cobrança, boleto ou chave Pix recebidos por WhatsApp em nome da PGFN devem ser tratados como golpe.
Como saber se um boleto da dívida ativa é verdadeiro?
A PGFN não envia boleto. O pagamento é feito por DARF, DAS, GPS ou GRRF emitidos pelo próprio contribuinte no Regularize. Se recebeu uma guia pronta, emita outra no portal e compare.
Existe aplicativo para negociar dívida com a PGFN?
Não. A PGFN informa que não existe aplicativo oficial do Regularize. O único app oficial dela é o Dívida Aberta, só para consultar devedores. A negociação é feita no site regularize.pgfn.gov.br.
Paguei um boleto falso. A minha dívida foi quitada?
Não. O dinheiro foi para o golpista, e a dívida real, se existir, continua no Regularize. Avise o banco na hora, registre boletim de ocorrência e confira a situação no portal.
Preciso pagar alguém para receber o perdão das dívidas do MEI?
Não. Segundo a PGFN, o MEI não precisa fazer nenhuma solicitação neste momento, e as dívidas abrangidas pela Lei Complementar 238/2026 serão extintas em 1º/1/2027. Quem cobra para "ativar" o perdão está mentindo.
Fontes
- PGFN: Alerta sobre tentativas de golpes e fraudes em nome da PGFN
- PGFN: Recebeu mensagem da PGFN? Cuidado, pode ser golpe! (2/12/2025)
- PGFN: PGFN alerta contribuintes por mensagens no celular via SMS (11/3/2022)
- Portal Regularize (PGFN)
- PGFN: perguntas frequentes sobre o perdão do MEI
- Receita Federal: Exclusão do Simples Nacional 2026, perguntas e respostas
- Receita Federal: orientações para regularização de pendências do Simples Nacional
- Lei Complementar 238/2026
- Lei Complementar 236/2026
- Código Tributário Nacional, compilado
- Lei 13.988/2020 (transação tributária)
- Código Penal, compilado (art. 171)
- Banco Central: Guia do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix